Edifícios e Jardins
As Casas da Universidade
A casa em Ponta Delgada
A sede da Universidade instalou-se a norte da cidade de Ponta Delgada, ao lado do Relvão, num Palacete construído em finais do século XIX. Com efeito, em março de 1895, o Açoriano Oriental noticiava que Jacinto Fernandes Gil, segundo Visconde do Porto Formoso, tinha começado a edificar um Palacete nuns terrenos que possuía na rua da Mãe de Deus. As obras terminaram dois anos depois, sendo a casa inaugurada com uma festa celebrada na segunda-feira do Carnaval de 1897.
A casa apresentava um perfil próprio da burguesia da época, embora modesto. No rés-do-chão, situava-se a zona pública (salas de estar e de jantar, escritório, cozinha e copa), enquanto o primeiro andar, com terraço, era dedicado à vida privada da família (quartos de dormir e de vestir do casal e dos seus três filhos, quarto da ama e um moderno quarto-de-banho, equipamento ainda muito pouco habitual nas casas micaelenses da época).
Seis anos depois de viver no Palacete, o Visconde do Porto Formoso mostrou intenções de ir residir para Lisboa, tendo propondo à Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada a compra da sua habitação por 50 contos de réis. Todavia, o negócio não foi concretizado e a família de Jacinto Fernandes Gil manteve-se como sua proprietária, tendo até aqui realizado o casamento da sua primeira filha na década de 1920. Só em 1924 é que o Visconde do Porto Formoso encontrou um comprador para o Palacete: João Maria Berquó de Aguiar, que manteve o imóvel até à década de 1960. Nesta altura, o imóvel foi finalmente adquirido pela Junta Geral, que aqui instalou uma Escola do Magistério Primário. Iniciava-se a função educativa no Palacete, que a instalação do Instituto Universitário dos Açores prolongaria de 1976 até à atualidade.
Se a arquitetura externa do Palacete se manteve praticamente incólume desde finais do século XIX até hoje, o seu interior foi remodelado, nomeadamente após o incêndio que deflagrou no edifício na madrugada de 12 de junho de 1989. Para lá dos estragos materiais na arquitetura da Casa, os prejuízos na cultura universitária foram também imensos, numa instituição jovem que tinha no antigo Palacete o coração da vida universitária, entre aulas, serviços de gestão e de direção e a Biblioteca. Livros, documentos de arquivos privados, certificados e processos de alunos e docentes, numa época em que ainda dominava a memória papel, foram engolidos por um incêndio que consumiu um património documental precioso até então recolhido e salvaguardado pela Universidade.
Mas a Universidade não ficou queimada. Lentamente, reergueu-se e reconstruiu-se literalmente das cinzas. Em 1991, um novo edifício, ainda hoje localizado defronte da Escola de Enfermagem, recebia os serviços da Reitoria, enquanto o antigo Palacete era recuperado. Em 1995, era a vez de se estrear o complexo das Ciências Humanas; em 2001, o Complexo Científico e a Aula Magna; e, em 2003, o edifício da Biblioteca universitária.
Acompanhando todo este percurso arquitetónico, a Universidade teve sempre o benefício de contar com uma belíssima área ajardinada, um outro legado do segundo Visconde do Porto Formoso. Com efeito, Para lá do Palacete, o Visconde anexou à área de residência um parque natural privado, seguindo um modelo de enquadramento próprio da época, que conjugava património edificado com património natural.
Com cerca de 15.000 metros quadrados, numa composição estreita (45 metros de largura x350 m de comprimento até ao limite norte), o parque apresentava duas áreas funcionais diferentes. Assim, nas traseiras da casa (onde hoje se encontra o parque de estacionamento da Universidade) localizava-se a zona de hortas e um campo de criquet; à sua frente, instalou-se o jardim, que obedeceu ao estilo romântico, muito de acordo com a moda da elite micaelense da época.
O jardim, ainda hoje um dos elementos nobres da Universidade, apresenta um núcleo ocupado por um lago oscilante, ladeado por duas alamedas repletas de elementos artificialmente naturais, co
